Trio Janaju dá voz à natureza no bom álbum 'Lindeira' entre cateretê, ecos mineiros e canções de Roberto Carlos
Formado por Nair de Cândia (à esquerda), Jaime Alem e Jurema de Cândia, o trio Janaju lança o álbum 'Lindeira' em 28 de agosto Nando Chagas / Divulgação ...
Formado por Nair de Cândia (à esquerda), Jaime Alem e Jurema de Cândia, o trio Janaju lança o álbum 'Lindeira' em 28 de agosto Nando Chagas / Divulgação ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: Lindeira Artista: Janaju Cotação: ★ ★ ★ 1/2 ♬ Backing vocal de Roberto Carlos desde 2001, a cantora Jurema de Cândia completa 25 anos na banda RC 9 em 2026. A longeva ligação profissional entre os dois artistas explica a presença estranha de pot-pourri com quatro canções de Roberto e Erasmo Carlos (1941 – 2022) – “As canções que você fez pra mim” (1966), “Eu te amo, te amo, te amo” (1968), “Se você pensa” (1968) e “É preciso saber viver” (1968) – entre as 10 faixas do primeiro álbum do Janaju, “Lindeira”, programado para 28 de janeiro. Janaju é o trio carioca formado por Jurema com a irmã Nair de Cândia e o cunhado Jaime Alem, companheiro de Nair, com quem Alem já gravou o álbum “Jaime & Nair” (1974), lançado há 52 anos. Jaime Alem – cabe lembrar – foi o maestro e diretor musical de Maria Bethânia por 25 anos, de 1985 a 2010, em conexão profissional iniciada em 1982, ano em que Alem fez os arranjos vocais de memorável show da cantora, “Nossos momentos”, tendo Jurema e Nair como backing vocals. Violonista, Jaime Alem é também violeiro e extrai sons evocativos das terras do Brasil rural. A combinação de sons das terras e dos rios, da natureza enfim, molda o repertório de “Lindeira”, álbum que chega cinco anos após o primeiro single do trio, “Homens de pedra” (2020). É nessa trilha que caminha o Janaju, como mostra a gravação de uma das duas parcerias de Alem com a poeta Etel Frota incluída no álbum, “O rio que chora”, cuja correnteza parece carregar o som sagrado de Milton Nascimento, entre outras referências. O trem apita em “Lá onde eu moro” (Jaime Alem), faixa de balanço percussivo escolhida para gerar clipe. Destaque do repertório do álbum, a música-título “Lindeira” – a outra música da lavra de Alem com Etel Frota – segue em correnteza serena com lirismo poético e o mais sedutor arranjo vocal do disco em gravação pontuada pelo toque rural da sanfona do pianista João Carlos Coutinho. Ecos das Geraes reverberam em “Terra de heróis” (Carlos Rocha e João Marcos Alem), sinalizando que os sons de Minas (Clube da Esquina e Milton Nascimento, sobretudo) estão entranhados na alma do Janaju. “Recém-nascido” (Jaime Alem) se assenta sobre as percussões de Reginaldo Vargas enquanto “Sonhos e contos reais” (Carlos Rocha e Jaime Alem) evoca cheiro de mato entre ecos do Boca Livre nos vocais dessa canção levada pelo violão do próprio Além sobre percussão suave. “Enigma” (Jaime Alem) e “Nem vem” (Jaime Alem) – faixa de pulsação vibrante – são outras músicas valorizadas pelas harmonizações das vozes do Janaju. No fecho do álbum “Lindeira”, entre toques de violas e o baticum de tambores, o trio se volta para o universo caipira na pegada dançante do cateretê que move “Catira do Pinheiro”, parceria de Jaime Alem com Paulo César Pinheiro. Capa do álbum 'Lindeira', do trio Janaju, formado por Jaime Alem com as irmãs Nair de Cândia e Jurema de Cândia Nando Chagas