Por que 'Everlong' sempre fecha os shows do Foo Fighters?

O vocalista Dave Grohl, do Foo Fighters, no Rock in Rio 3, em 2001, e na edição de 2019 L.C. Leite/Estadão Conteúdo/Arquivo; Marcelo Brandt/G1 Do Rock in Rio 20...

Por que 'Everlong' sempre fecha os shows do Foo Fighters?
Por que 'Everlong' sempre fecha os shows do Foo Fighters? (Foto: Reprodução)


O vocalista Dave Grohl, do Foo Fighters, no Rock in Rio 3, em 2001, e na edição de 2019 L.C. Leite/Estadão Conteúdo/Arquivo; Marcelo Brandt/G1 Do Rock in Rio 2001 ao The Town em 2023, o Foo Fighters veio ao Brasil seis vezes. E, em todas elas, o show acabou do mesmo jeito. "Everlong" fechou o setlist. Em março de 2022 a banda fecharia o Lollapalooza Brasil. Dois dias antes, Taylor Hawkins morreu em Bogotá. O show foi cancelado, mas a última música que o baterista tocou ao vivo, cinco dias antes, no Lollapalooza Argentina, foi "Everlong". Em entrevista recente ao jornal "The New York Times", Dave Grohl definiu "Everlong" como "nosso final por excelência". "Não apenas porque as pessoas a conhecem, mas porque a letra se encaixa perfeitamente no encerramento de um grande show: 'Se tudo pudesse ser assim tão real para sempre / Se algo pudesse ser tão bom assim de novo'. Então sim, simplesmente funciona." "Na verdade, perguntei ao Paul McCartney uma vez, há muito tempo: 'Como você escolhe qual música vai encerrar o show?'. E ele respondeu: 'Bom, nós temos essa música chamada 'The End''. Eu fiquei tipo: 'Ah, claro'." Quais os trunfos de 'Everlong'? 'Everlong', Foo Fighters: Lucas da Fresno explica hits do Lolla Em 2022, o g1 publicou uma série em vídeos com participação de Lucas Silveira, da Fresno. Ele explicava hits que estariam no festival, na edição em que a banda emo gaúcha também era uma das atrações. “Everlong” era um desses hits (relembre no vídeo acima). Lucas diz que muitos bateristas iniciantes ouvem "Everlong" e tentam reproduzir aquele som. Só que não conseguem. A levada do chimbal (a dupla de pratos metálicos) é uma batida dançante com pegada anos 80, acompanhada de um bumbo que não é reto. O bumbo, que conduz a parte grave, sai do lugar esperado. O resultado é uma métrica que parece simples, mas não é. Os acordes também chamam a atenção. O rock dos anos 90 vivia de power chords, os acordes básicos e cheios de riffs distorcidos. Grohl preferiu um acorde que faz lembrar uma bossa nova. "Um acorde com romance", definiu Lucas. Métrica complexa, acordes de bossa nova e catarse: a arquitetura do hino que sempre encerra as apresentações do grupo por aqui.E essa nota um pouco deslocada está no meio de um hino de estádio. Um hino que é construído a partir de camadas. "Tem umas quatro guitarra aí fácil", arriscou Lucas. Ele lembrou que o disco foi feito em 1997, quando não existia a possibilidade de corrigir tudo com os recursos de agora. "Os caras buscavam uma perfeição, numa época que ainda não tinha grandes correções assim." O resultado chamou atenção de quem nem acompanhava a banda. E o que dizer da voz de Grohl? Ela começa a canção num registro suave e grave. Quando a música sobe, ele vira o gritador clássico do Foo Fighters, com um vocal de apoio por trás. Um minuto e meio sem refrão Foo Fighters durante o último show do palco Mundo no segundo dia de Rock in Rio 2019 Marcelo Brandt/G1 "Everlong" demora a acontecer. Passa um minuto e o refrão ainda não veio. Havia mais paciência nos anos 90. Grohl adiou a recompensa sabendo que ela chegaria, uma dinâmica que funciona nos shows. O riff fica voltando para a mesma nota. Tudo nele é denso, meio triste. Só que a batida empurra para a frente. Grohl escreveu a letra em quarenta e cinco minutos, no fim de 1996, dormindo no chão da casa de um amigo durante seu divórcio. A canção fala de uma conexão que passa do físico. Temos aqui uma raridade: ela é ao mesmo tempo melancólica, combina com despedida, mas é intensa, não termina o show "pra baixo". O público sentirá tudo isso, de novo, no primeiro dia do Rock in Rio.