Em disco novo, Bruno Mars entra na 'onda latina' e prova ser mestre em trilha de festas de casamento
Bruno Mars lembra que tem raízes latinas em ‘The Romantic’, álbum meloso, mas bem-feito Título: "The Romantic" Artista: Bruno Mars Nota: 7/10 Pode não p...
Bruno Mars lembra que tem raízes latinas em ‘The Romantic’, álbum meloso, mas bem-feito Título: "The Romantic" Artista: Bruno Mars Nota: 7/10 Pode não parecer, mas fazia dez anos que Bruno Mars não lançava um álbum solo. Não é que o cantor andasse desocupado — na verdade, estava mais para freelancer. Lançou o projeto Silk Sonic ao lado de Anderson .Paak em 2021, veio ao Brasil mais de uma vez e soltou singles que você provavelmente já ouviu umas 25 mil vezes por aí. Inclusive, segue um hitmaker de mão cheia. Mas ele não fazia um disco autoral, sozinho, desde 2016. Naquela época, com "24K Magic", ele mergulhou de cabeça no New Jack Swing (híbrido do R&B e hip hop dos anos 80 e 90). Caprichou não só nas músicas, como na estética e na moda. Não à toa, levou um Grammy de Álbum do Ano. Ou seja, se demorou tudo isso depois de um disco tão elogiado, as expectativas pelo retorno eram altas. Bruno Mars em clipe de 'Risk It All' Divulgação "The Romantic" tem um título bem autoexplicativo. O álbum é centrado em letras românticas, quase cafonas, ainda que a maioria das faixas seja dançante. Como não podia deixar de ser, Bruno segue nostálgico, passeando entre o soul dos anos 70 e a disco music. A novidade aqui é que, aproveitando o auge do pop latino, Bruno lembrou que ele mesmo é filho de um percussionista porto-riquenho e encheu os arranjos de congas. Ele entrega um bolero bonito e meloso em "Risk It All" e brilha em "Cha Cha Cha", possivelmente uma das composições mais refinadas de sua trajetória recente. Estudioso aplicado de sons antigos, Bruno já tem fama de fazer canções que lembram outras. Mas desta vez, a familiaridade surpreendeu até os fãs mais assíduos: a faixa "Something Serious" lembra nada menos que "Conga Conga Conga", de Gretchen. Claro, tem a ver com o próprio estilo musical caribenho de onde ambas as músicas bebem. Mas fica aí a sugestão para um feat. Apesar desse toque latino, "The Romantic" segue por um caminho seguro e, por vezes, pouco inspirado. Falta um pouco daquela alma e do apuro quase obsessivo que vimos em "Uptown Funk" ou no disco anterior. Bruno Mars em foto promocional para o disco 'The Romantic' Divulgação Por outro lado, ainda estamos falando de Bruno Mars. Ele continua sendo o artista pop que mais investe em instrumentação. Neste disco, o homem está creditado como compositor, produtor e arranjador de todas as faixas. E está cantando bem como sempre. Até quando ele entrega uma balada que começa "chata" ou formulaica, como "Nothing Left", surge uma guitarra que te leva para outro lugar. No conjunto da obra, "The Romantic" pode frustrar quem esperava algo no nível do que ele fez há dez anos. Mas é impossível dizer que as músicas são ruins ou mal-feitas. Temos aqui um artista talentoso com uma banda azeitada que, quando peca na criatividade, sobra na musicalidade. No fim das contas, ele acertou no conceito romântico: se Bruno cantasse esse disco na sua festa de casamento, sua família inteira sairia de lá feliz da vida.