Ao vivo, Teresa Cristina canta Zeca Pagodinho com calor em show com a alta temperatura do verão carioca
Em show no Circo Voador, Teresa Cristina vai além do repertório do álbum 'Jessé – As canções de Zeca Pagodinho' Patrícia Burlamaqui / Reprodução Inst...
Em show no Circo Voador, Teresa Cristina vai além do repertório do álbum 'Jessé – As canções de Zeca Pagodinho' Patrícia Burlamaqui / Reprodução Instagram Teresa Cristina ♫ CRÍTICA DE SHOW Título: Jessé – As canções de Zeca Pagodinho Artista: Teresa Cristina Data e local: 17 de janeiro de 2026 no Circo Voador (Rio de Janeiro, RJ) Cotação: ★ ★ ★ ★ 1/2 ♬ Casa de público sempre caloroso, o Circo Voador esteve especialmente quente na noite de sábado, 17 de janeiro. Às altas temperaturas do verão carioca de 2026, somou-se a chama acendida por Teresa Cristina ao dar voz ao repertório autoral de Zeca Pagodinho no show de lançamento do álbum “Jessé”, disponibilizado no mesmo dia do show. Ao vivo, Teresa cantou Zeca com muito mais calor e foi além dos 12 sambas do disco em roteiro que, no bis, abriu espaço para três sambas incendiários – “Seu balancê” (Toninho Geraes e Paulinho Rezende, 1998), “Samba pras moças” (Roque Ferreira e Grazielle, 1995) e “Verdade” (Nelson Rufino e Carlinhos Santana, 1996) – em que o cantor carioca deixou a marca de intérprete bamba. Teresa Cristina também já tem uma marca como intérprete, delineada desde o fim da década de 1990, quando a cantora foi descoberta cantando em bar da Lapa, bairro boêmio da zona central da cidade do Rio de Janeiro (RJ) que também abriga o Circo Voador. Sob a lona mais pop do Rio, Teresa fez show coeso em que, às perolas mais raras recolhidas para o álbum gravado com produção musical de Pretinho da Serrinha, foram adicionados outros sambas menos conhecidos – caso de “Se tivesse dó” (Zeca Pagodinho e Nelson Rufino, 1988) – e sucessos como o partido alto “Dor de amor” (Arlindo Cruz, Acyr Marques e Zeca Pagodinho, 1986) e “Se eu for falar de tristeza” (Zeca Pagodinho e Beto Gago, 1986), samba lançado no primeiro álbum solo de Zeca Pagodinho, disco blockbuster que completa 40 anos em 2026 como espécie de greatest hits precoce do compositor criado nas rodas do subúrbio carioca. Teresa Cristina pode não ter a voz mais potente do samba, mas veste-se muito bem com a boa voz que tem. Poucas cantoras cantam samba tão bem quanto essa carioca fã de rock pesado. É questão de jeito, de alma, de entendimento da poesia e da cadência do samba. Sob a direção musical da violonista Samara Líbano, habilidosa no toque das sete cordas, Teresa Cristina cantou Zeca Pagodinho como se estivesse à frente de roda de samba armada no palco do Circo Voador com percussionistas afiados. Foi impossível resistir à cadência bonita de sambas como “Ai, que saudade do meu amor!” (1993), uma das dezenas de parcerias do compositor com Arlindo Cruz (1958 – 2025), amigo de Zeca desde os primórdios das trajetórias de ambos. Dessa parceria, Teresa também se permitiu incluir no show um samba de cadência bem mais lenta, “Termina aqui” (1987), composto por Arlindo e Zeca com Alcino Correia (1948 – 2010), o Ratinho. Mesmo que um ou outro samba tenha amornado o show, caso sobretudo do menos inspirado “Lente de contato” (Jorge Simas, Wanderson Martins e Zeca Pagodinho, 1990), a apresentação de “Jessé” no Circo Voador transcorreu quase sempre com a alta temperatura dessa casa em que o público geralmente é entusiasmado. Com o toque de músicos como o cavaquinhista João Callado, parceiro de Teresa desde o início da caminhada da cantora, a roda comandada por Teresa Cristina no Circo Voador resultou animada, contagiante. E, justiça seja feita, a cantora jamais fez concessões. Incluiu alguns sucessos inevitáveis, sobretudo no fim do roteiro, mas também deu voz a sambas já meio esquecidos, caso do dolente “Quando te vi chorando”, mais uma parceria de Zeca com Arlindo Cruz, esta gravada por Zeca com a irmã, Ircéa, no primeiro e único álbum da artista, “Feito Diadema”, lançado em 1987 no rastro da explosão de Zeca no ano anterior. No fim do show, antes do bis, a cantora encadeou quatro infalíveis partidos altos – “Bagaço da laranja” (Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho, 1985), “Camarão que dorme a onda leva” (Arlindo Cruz, Beto Sem Braço e Zeca Pagodinho, 1983), “SPC” (Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho, 1986) e “Brincadeira tem hora” (Beto Sem Braço e Zeca Pagodinho, 1986) – que esquentaram ainda mais a temperatura de show quente como o verão carioca de 2026. Teresa Cristina mistura sucessos e sambas menos conhecidos da obra autoral de Zeca Pagodinho em show no Circo Voador Patrícia Burlamaqui / Reprodução Instagram Teresa Cristina